quarta-feira, 18 de novembro de 2020

 

Minhas dores (I)

 

Doí-me menos a perda
que a impossibilidade,
a volta que a ida,
por certo, doí-me a vida.


Doí-me sentir esvair-me
em lembranças,
as bem cuidadas esperanças,
do meu ser criança.
 
Dou-me por satisfeito
mesmo não havê-lo , o  jeito,
ou por não tê-lo achado,
apesar de porões e sótãos,
vasculhado, com cuidado.
 
Acredito, que parece ser assim
E canto, feliz, enfim.                              By EC

 

terça-feira, 17 de novembro de 2020

 

Partidas sentidas.

 

Presença de pura alegria,
Da noite para o dia,
Tornou inexistente aqueles dias.
Ausência, fingida indiferença.
Doí-me profundamente,
A sua partida inadiável, inexplicável,
Indo por aquela porta, e nada falei,
Hoje, choro lágrimas silenciosas,
Escondidas em mim, dores sem fim.                By EC

domingo, 15 de novembro de 2020

 

A Tarde está quente.

 

A tarde está quente e os humores,
tétricos terrores.
No entanto admirável fato.
A moça que mora em minha janela
Apareceu, sorriu e sumiu.
Uma combinação inusitada,
De certa forma inspirada,
Ela parecia saber.
Dos fantasmas da outra janela,
Que não a dela,
Que a mim assombravam
Com seus ruídos estranhos
Repentinamente um som
Magistral brotou do violino
Seria apenas um
Exercício, algo do oficio
Ouvindo aquela perfeição,
Não percebia, aos pouco
O nascimento desta impressão.                          By EC

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

 

O poema novo.

 

O poema novo
Deixaria as grandes questões da humanidade
A quem de direito, se tal houvesse.
Mas, não nos entristece,
O poema novo, nasceria certo,
Teria um canto quadrado em um círculo perfeito,
Sem rimas pobres, sequer esnobes,
Haveria de haver um quê de sofisticação, de pós- pós-moderno,
Haveria de nascer liberto,
O poema novo, enfim
Seria perfeito, início, meio e fim,
E assim, o poema novo,
Seria antigo,
Não traria nada escrito.                                          By EC

terça-feira, 10 de novembro de 2020

 

Tarde Quieta.

 

Tarde quieta...
Pássaros a cantar,
Cantigas diferentes de encantar.
De quando em vez, discreta,
A moça observa da janela irrequieta.
Espera.
Um violino concerta,
Ao longe, canção de ninar,
Em meio a escalas e sonatas.
Também de outra janela, espreita
Respeita, Enfeita.
Um sorriso doce, gentil.
O violinista em mi bemol menor,
Difícil de dar dó, toca uma serenata,
A moça retribui o sorriso,
E uma voz canta, sem ser vista.
É a cantiga do violinista?
Pássaros já vão, algazarra
Confusão.
Ao passar diante da janela
Calam-se em uníssono, solícito
Em singela homenagem,
Á moça da janela,
Ao violinista em tela,
Até, creio, à este aprendiz
Que só de longe observa,
Em tentativa que impera
Ao sol tardio, enquanto a noite espera.         By EC

domingo, 8 de novembro de 2020

 A Competência e a Felicidade.

 

A competência é um termo jurídico
Compreensivelmente, me perdoando, não sabia
E, agora, mesmo sabendo, que somente por extensão
Dá-se à competência alguma razão.
 
No sentido de conhecer e de saber;
Homenageio neste pobre escrito,
De um mero aprendiz da vida
Uma competência iluminada...
 
Já a felicidade é um conceito inútil
Pois, segundo, o filósofo Schopenhauer,
Por maior esforço não é alcançada
Mas, por outro lado, é, inutilmente, tentada
 
Ninguém é obrigado com este filósofo
Da felicidade inútil, entender-se, por concordar
Em seu pensamento, a falta de tormento
É a paz interior, o objetivo a alcançar
 
Homenageio, pois, quem com competência, e;
Felicidade, por extensão, sem maldade,
Atingiu gloriosa homenagem
Em sua vida de serena humildade.    By EC

sábado, 7 de novembro de 2020

 

Admirável mundo novo.

 

Admirável e à revelia da tristeza,
daqueles que inutilmente se debatiam,
contra os engodos que sabiam
serem perversos e vazios,
enquanto outros,  tolos,  aplaudiam.
 
Não serem da malta de nada lhes servia
Pois não se alinhavam em serventia,
Na crença, na fé e na esperança
De um novo e radiante dia.
 
Inadmissível e inexorável
ato cruel e abominável,
da sempre fiel hipocrisia, que servia
destruindo sentimentos e mentes,
nos meandros da patifaria,
especialidade daqueles outros que riam.
 
Apesar de simples ladrões espertos
E seus hipotéticos corretos,
Declamam e inflamam discursos incertos
Que, crédulos, suplícios no maléfico,
Escuro, turvo e encoberto.
 
Continuarão tolos aos montes e aos lotes
Confiando cegamente nos trotes,
Nos seus embustes e logros, em enormes pacotes.            By EC
 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

 

Xenofobia

 

Um homem trabalhador!
Mal o conheciam, no entanto
Todos dele gostavam, ali onde estavam,
Alegres e camaradas, presentes em todas as “jogadas”.
 
Tempo ruim não havia, nem de perto assim o queria
Ele, satisfeito com a vida, preenchida
Mulher, filhos, amigos...
Longe da periferia, classe média acolhida.
 
Um problema no documento,
Franziu a testa por um breve momento,
Foi a embaixada resolver
Afinal quinze anos no país, cumprindo seu dever.
 
Desconsolado voltou, andando à esmo
Pensou: “os patrões que tanto dele precisavam
Interveriam em seu favor, com fervor”,
- Não haveria problema mesmo....
 
Ensimesmado, calado e abismado, ouvia...
Mas logo o senhor nos enganando por todo este tempo?
Não tem vergonha fugitivo! Disse-lhe o patrão impositivo.
Atingindo-lhe o peito com maestria...
 
Algo havia mudado, seus companheiros zombavam
Divertiam-se, e achincalhavam....
E ele, coitado, triste e abandonado
Seria deportado, estava errado, logo ele “o amado “?
 
Partiu, sem família, desvario, em um navio vazio,
De qualquer sentimento e calor, rumo ao Exterior,
Para seu local de nascimento, lamento e tormento
E, junto a outros tantos, em uma sinfonia de silencio
No mar se jogou...Não tinha mais valor!                      By EC

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

 

Sentimentos na Bookstore.

 

Uns celebram a vida,
Outros a introspecção,
Necessárias, ambas,
Ao mínimo de razão.
Saber entender a partida
Do mais querido ser,
Saber entender a chegada
Do alvorecer.
Um café gostoso, na bookstore
Ouvindo ao fundo um jazz baixinho,
Tocado com carinho.
Eu, por mim,
Observo sorrindo por dentro,
Mesmo que uma gentil lágrima role,
Pois a vida não nos engana,
É clara como a luz da manhã.
Se nos enganamos, paciência,
Não somos perfeitos,
Erramos, com todo direito.                                   By EC
 

Poema inspirado pela nossa amiga Raquel,  enquanto conversávamos no whattsapp dia 01.11, à tardinha.

domingo, 1 de novembro de 2020

 

Procura

 

Ando
Procurando uma rima
Que de mim; a mim se aproxima
Penso então,
Procurando uma explicação
Que sei existe. Ou não?
Contrariado, procurando estar certo
Me percebo deserto.
Eis que sozinho...
Estou mais perto de mim
Por certo.                                                   By EC

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

 

Meninas

Menina, nas noites vividas,
Quantas, tantas infindas,
Sem acalanto, sem encanto,
Sem carinho, desprovida,
Da pessoa querida?
Partiu, deixando-a partida,
Ferida, sem a exata medida,
Paralisada, sem ação,
Entre o sim e o não.
Sim, chore e cante sua ilusão,
O mar levará sua solidão.                                      By EC

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