sexta-feira, 23 de julho de 2021

 

Canção.

 

Hoje quem canta
como ama, encanta,
na suave melodia,
ou no arfar do cansaço, da íngreme
subida da escadaria,
não importa. É poesia!
Acalanto para um coração
que se afasta da solidão,
e, traz a emoção, na beleza da canção.
Leva as mágoas para o relento,
aquelas que o dividiram,  
em pedaços, estilhaços,  
tornando-o diluído  e ferido.
Ressentimentos de quem partiu
sem se dar conta, e em mágico momento,
encontrou-se em seu próprio sentimento.   By EC.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

 

Malandros.

 

Em duras batalhas
entre facas e navalhas,
malandros de outrora,
respeitando a honra, ora,
lutavam por mulheres, cachaças ou sambas
muitas delas vadias, mas bambas, ambas.
Jogadas nas calçadas sujas,
esquecidas,
como velhas muambas, dos cais,
não, não eram iguais.
Tampouco desiguais
assim como eles próprios guerreiros
em seus primeiros pardieiros
respeitavam as suas senhoras
a qualquer hora, em qualquer lugar
tinham o amor de amar,
em tudo e em todas as horas.              By EC.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

 

A rua das estrelas.

 

Sim, por que não?
perguntou-me com afeição
e uma leve aflição.
Não havia rispidez naquela locução,
a pergunta continha certa emoção,
em um timbre bom, misto de barítono
e tenor  daquele senhor.
Tanto carinho para perguntar
em qual rua deveria virar?
A terceira, respondi com certeza,
eu também estou indo para lá,
não sei bem o que encontrar,
saberia o senhor me informar?
Certamente disse-me condescendente:
- É o encontro de todas as luas
e estrelas das noites sem luar,
que insistem em brilhar!
Contam histórias milenares,
riem, cantam e dançam excêntricas,
sentam-se em círculos concêntricos,
e adormecem sem sonhar.             By EC.

sábado, 10 de julho de 2021

 

Amanhecer.

 

Amanhece, eu sei
não sei se dormi ou sonhei,
manhã de apressada saudade
esquecida do sentimento,
agora lembrado, profundamente calado.
Não tenho certeza do dia.
Quero vê-lo. Está lindo!
Me cumprimenta gentilmente
reverencia que não mereço,
retribuo, durmo novamente e esqueço.  By EC.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

 

Encontro.

 

De repente
o coração disparou
pudera, ao dobrar a esquina
se encontrou
com a pequena menina
que sempre amou.
Sorriu, acenou...
Não teve resposta, corou...
Triste, não saberia dizer, com ternura
e brandura, tamanha doçura;
entrementes ele percebeu carinho...
Ela, sorriu, misteriosamente e;
lentamente seguiu seu caminho.        By EC.

sábado, 3 de julho de 2021

 

Tuas magias.

 

Eu contava histórias tão longas
desenhando mundos mágicos
sobre paredes enceradas.
Atentas, ouvias
sobre esqueletos barulhentos
de ossos luzidios,
se atracando nos precipícios.
Tu imaginavas
noite brancas e negras,
de luas magras.
Assustada, escondias
e por seu puro prazer
surgias.
Nestes mundos mágicos,
desconhecidos pelos não introduzidos,
ao próprio desconhecido, sempre,
trazem os visitantes errantes, barulhentos.
Força dos ventos...
Inquietantes ventos...
Que brincam com as luas magras.
ela, sabiamente, escondia e
desaparecia, como se mágica fosse.
E, quando do nada tu emergias,
deixava as estrelas atônitas,
sem saberem
se terra tinha virado céu.
Ou se eram simples coadjuvantes
naquele cenário de contos
repletos de divindades e segredos.
E tu, no toque da cartola,
no descerrar das cortinas,
outra vez, sumias...
Neste ínfimo e laminar espaço,
em que habitam  sábios , magos,
e naturalmente tu, com tuas magias.
Presenteava-nos deixando desenhado
o céu estrelado, onde despontava
a estrela que naquele instante se tornaras.
E nós sentados na beira da estrada,
maravilhados e abismados,
calados, contemplávamos infinita pureza
de sua imensa riqueza.                              By EC.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

 Poema lindo que minha amiga do coração Raquel me dedicou.

Ao meu amigo Eduardo Chiarini

Perdida na retórica
do ser ou não ser,
professora ou poeta,
não importa o saber.
Foi você, meu amigo,
no caos, o porto seguro,
onde apartei-me da deriva
do mar de intrigas e escuro
em que me encontrava.

Das Minas Gerais, o jeito de ser;
da nobreza d'alma, a generosidade;
do coração grande, a amizade.
Quem diria que nas conversas sutis
encontraria um amigo tão gentil?
Meu salva-vidas na tempestade
e também nos dias de calmaria,
com incentivos de seguir adiante.
O escritor, poeta e também amante
da ciência mais bela, a Filosofia.

Confiou-me seus contos e personagens, 
entre estórias de realidade e ficção. 
Enveredando por perigosas viagens,
aventurei-me a conhecer um pouco
do que se passava em sua imaginação.
Desde um poeta desejando um café
à professora que desvendava casos,
usando ideias filosóficas e astúcia.
Assim é a bela e competente Ana Lúcia. 

Meu amigo, Eduardo Chiarini,
se um dia por qualquer descompasso,
esta professora precisar se ausentar,
saiba que deixará aqui neste espaço:
gravados seus versos, sua gratidão,
seu respeito, a Diva (Meryl) e abraço 
carinhoso da mais sincera admiração!

* Dedicado exclusivamente ao poeta, 
escritor e filósofo Eduardo Chiarini.


Raquel Fonseca. #ChácomLetras;


 

Ignorância....

 

Preso entre a indigna e a ação,
moderada pela ingratidão,
quase nunca ignorante, sutilmente elegante,
presente e insistentemente intolerante.
Fiquei entre o pré e o conceito,
nem sei se entendi direito,
e por isto deixo aqui como promessa
a satisfação para a próxima remessa.
Uma coisa em uma ou duas linhas,
num sentido que faça a coisa,
e que, terminada; a coisa feita,
não nos faça nenhuma desfeita.
Que não seja tingida pela ignorância,
tampouco pelo estreito preconceito,
que se faça por perfeito o que é nosso direito.    By EC.

 Este poema é dedicado à Resenha da Dora, cujo tema é Ignorância e Preconceito.

#abelezadapoesia

quinta-feira, 24 de junho de 2021

 

Política precisa de poesia?

 

O país é, no mínimo, interessante,
não bastando, por si, ser desgastante.
Já tivemos figuras nobres no comando,
e crescemos muito sem desmandos,
mas, infelizmente, nossa economia pujante e forte,
não agradou nossos irmãos do norte.
Já tivemos Presidente que foi prudente,
além disso de Morais, por certo prezava,
antes de mais nada, a moral, que não o onerava.
Já tivemos presidente animal,
um bicho do mar, não sei bem qual,
que alguns acham ter feito uma gestão legal,
porém se perdeu em meio à corrupção, letal.
Este outro, dizem demente.
Não! É delinquente, um marginal,
anda às voltas com milícias e policias,
tem um séquito de seguidores sem noção,
acreditam piamente  e não questionam o ladrão.
Os mar e terra, ajuda e enterra, quem diria,
milhares de mortos, sem economia,
o único resultado positivo da pandemia.
Economia sem mortos, não queremos, há devastação,
não nos importamos, já que vergonha não temos,
mas temos esperança e no coração,
após o furacão um alento de reconstrução.    By EC.

domingo, 20 de junho de 2021

 

Indícios.

 

Se emprego palavras sujas, nuas,
desprovidas de belezas aparentes
palavras sem cor, como se cruas,
sem nenhum pudor quase indecentes.
Vistas assim aos seus olhos imprudentes,
onde julgas, por achar coerente,
estar certa a sua forma de olhar.
No entanto lhe direi cuidado,
com o passo errado, equivocado,
que darás em função de seus indícios,
elaborados em estranhos ofícios,
à beira do inevitável precipício.    By EC.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

 

Eu não sei nada.

 

Quantas madrugadas,
sofridas, caladas,
sem nenhuma razão,
a não ser sua intenção,
de não sofrer mais por paixão.
Escute-me, eu não sei nada
mas sei que a madrugada,
sozinha e entranhada,
em seu coração a sofrer,
não lhe deixa abrir os olhos e perceber.
Sonoro e belo; o alvorecer.                     By EC.

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