sábado, 16 de outubro de 2021

Aquarela nas estrelas.

 

Um dia a vida me apresentou
dores pungentes e 
que a mim traziam feridas, 
mal curadas e sofridas.
Lutei, pois em mim há um guerreiro, 
um viking ligeiro, um guerrilheiro;
lutei com todas as armas que tinha, 
sofrendo profundas cicatrizes, contidas.
Um dia olhei para a vida, 
com tempo a trabalhar, 
um bálsamo, para feridas curar, 
sem a resignação de não viver.
Sorrir e sofrer; não havia espaço
para o cansaço vencer.
Hoje, em comunhão a alma, o coração
apenas marejam meus olhos, 
saudades dos que amei e delas desenhei
aquarelas nas estrelas. Eu sei!              By EC. 

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

 

Nômades

 

Os poetas mineiros,
foram morar no Rio de Janeiro,
e os de lá, não vieram para cá,
por preguiça ou indiferença, sei lá!
Já os poetas do nordeste e os baianos,
foram para o Rio por enganos,
atrás de lindos rabos de saias,
que os largaram na rodoviária, cambaias.
Os poetas do norte,
ah sim, esses tiveram sorte,
foram para o Rio , levando o açaí
e entre outras coisas também o tambaqui.
Poetas do sul, subiram em caravana,
foram para o Rio, direto dos pampas e das pradarias,
levando lindas, delirantes pequenas poesias,
e ali se estabeleceram com maestria.
Os poetas do centro-oeste,
Estes sim, não há quem conteste,
Foram para o Rio, alegres e cantantes,  
Como  seus versos agrestes.
Os poetas de São Paulo
e do Espirito Santo,
estes são *(não) viram encanto
em ir para o Rio, portanto,
ficaram em seus cantos.
Sem ter o que fazer,
maltratados pelo amor que se foi
escreviam romances e poesias falsas
com saudades de Itapuã, do pantanal, do agreste,
do cerrado, os pampas, das cachaças e das cabaças.  By EC.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

 

O verbo sonhar.

 

O que posso lhe dizer,
meu caro e ferido amigo,
“pior a emenda que o soneto”,
a um passo do cadafalso,
diria que não andamos em falso.
Nossa procura verdadeira
deixou-nos marcas da poeira,
alguma incredulidade e, mais importante,
à procura da felicidade seguimos adiante.
Pois então meu nobre senhor,
somos muitos em minha imaginação,
na sorte da vida ter tido andores,
delírios e paixões, inevitáveis dores.
Nesta viagem de loucuras no buscar
o que, se é que existe, estará além do amor,
não há de prestar, somente delirar,
bastando-nos, sem medo, o verbo sonhar.   By EC.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

 

Temperamentais.

 

Havia sim um certo perigo,
naquela perniciosa região,
por isto tomei esta decisão,
peguei o poema caído,
e lhe dediquei atenção.
O poema mal-agradecido
ficou claramente sentido,
achou, não sei o porquê,
que não lhe dei abrigo,
mesmo tendo-lhe recolhido.
Ah, esses poemas temperamentais!    By EC.

sábado, 25 de setembro de 2021

Meu  novo projeto é denominado inflexões, ou seja, uma mudança de direção.

Este poema faz parte dele.

Crisálida.

 

Este poeta que habita em mim
de fato não sou eu,
este último parece-me que morreu,
enquanto o outro misteriosamente viveu.
Eles vivem uma espécie de
divisão de um corpo morto, absorto
pelo poeta meio vivo, meio morto,
que de certa forma lhe dá energia,
e o outro alegria, fantasia e poesia.
O eu que habita o poeta,
este, meu amigo, tem traços exóticos,
advindos certamente de psicotrópicos.
Não sei bem dizer, está lá talvez,
impaciente, esperando a sua vez,
na fila da transmutação crisálida da beleza
para enfim tornar-se uma estrela.    By EC.


domingo, 19 de setembro de 2021

 

O Circo.

 

O circo, que beleza,
quanta alegria e gentileza,
quantas cores, pessoas
meninos e meninas e seus pais.
A entrada pela tenda,
quanta luz e incontáveis cordas,
o palco iluminado,
a música esplendorosa.
Os artistas, lindo, teatral.
a trapezista em seu traje,
desperta um certo alarde,
em um salto triplo magistral.
Os palhaços, brincadeira,
quanta besteira, quanta asneira,
quanto riso e gargalhada,
em uma pirueta desastrada.
Os animais, o rufar dos tambores,
os anéis de fogo,
o medo nos corações,
são corajosos e lindos os leões.
A luz vai diminuindo,
anuncia-se o final, as pessoas indo,
meu coração explode de alegria,
na emoção de uma lágrima que foge, nostalgia.  By EC.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

 

Melancolia.

 

A palavra que era precisa,
como a onda que se desfaz,
a sentença perfeita lhe faltava,
na memória confusa que falhava.
Em seu coração apertado,
como de um abraço apartado,
o sorriso que se desfazia,
na sua expressão de melancolia.
O que lhe fora tomado,
como se sempre no lugar errado,
sua mão aberta,  estendida,
repentinamente, com dor, recolhida.
Olhando, sentido, ao longe o mar,
vendo, embaçado, o céu passear,
entre milhões de estrelas, a divagar,
caminhou sorrindo, estranhamente devagar.   By EC.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

 

Maldições II

 

Malditas maldições,
cantadas nas canções,
nas tabernas e nos cantões,
onde se escondem os ladrões,
entre lampiões e seus temíveis facões.
Bendizeres, dizeres bem,
fazem bem a quem tem,
bênçãos que vem do além,
e de muito mais no vaivém.
Estruturas mortíferas, astutas,
que recebem, despudorados auríferos
por suas prestações de serviços,
desconfiados, malditos e aflitos.    By EC.

sábado, 4 de setembro de 2021

 

Faltava-lhe paixão.

 

Faltava-lhe a paixão,
e, a razão de quem não a tem,
que contente encanta a mente
com pequenas coisas do dia.
Uma tristeza, duas alegrias,
o cão que não latia, sorria,
a flor que não nascia, explodia,
em uma crescente alegoria.
Não se importava mais se a si confundia,
hoje, em uma mistura bem dosada
não se define em nada.                          By EC.

 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

 Poema lindo que minha amiga do coração Raquel me dedicou.

Ao meu amigo Eduardo Chiarini

Perdida na retórica
do ser ou não ser,
professora ou poeta,
não importa o saber.
Foi você, meu amigo,
no caos, o porto seguro,
onde apartei-me da deriva
do mar de intrigas e escuro
em que me encontrava.

Das Minas Gerais, o jeito de ser;
da nobreza d'alma, a generosidade;
do coração grande, a amizade.
Quem diria que nas conversas sutis
encontraria um amigo tão gentil?
Meu salva-vidas na tempestade
e também nos dias de calmaria,
com incentivos de seguir adiante.
O escritor, poeta e também amante
da ciência mais bela, a Filosofia.

Confiou-me seus contos e personagens, 
entre estórias de realidade e ficção. 
Enveredando por perigosas viagens,
aventurei-me a conhecer um pouco
do que se passava em sua imaginação.
Desde um poeta desejando um café
à professora que desvendava casos,
usando ideias filosóficas e astúcia.
Assim é a bela e competente Ana Lúcia. 

Meu amigo, Eduardo Chiarini,
se um dia por qualquer descompasso,
esta professora precisar se ausentar,
saiba que deixará aqui neste espaço:
gravados seus versos, sua gratidão,
seu respeito, a Diva (Meryl) e abraço 
carinhoso da mais sincera admiração!

* Dedicado exclusivamente ao poeta, 
escritor e filósofo Eduardo Chiarini.


Raquel Fonseca. #ChácomLetras;


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

 

Inverno tardio.

 

Eu gosto das ruas vazias,
de suas noites frias,
que vêm no inverno tardio,
trazendo na chuva fina o frio.
Eu gosto das nuvens escuras,
cinza chumbo, seus movimentos inconstantes,
do vento e do ar gelado, os portões fechados,
o caminhar no assoalho, apressado.
Eu gosto das estradas escuras,
no meio da noite sem lua,
o farol que ilumina termina, depois a escuridão,
ouvindo o bater do coração.
Eu gosto do sol da manhã,
do passeio no parque, o cheiro da hortelã,
ver os pássaros e dos bichos,
que se escondem num capricho
Eu gosto do mar bravio,
gosto da fúria incontida, sem razões,
que se traduzem nas coisas da vida,
indeléveis, sentidas, em todas as emoções.  By EC.

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