Blog de Poesia e Contos, Escolhidos e Esquecidos ao longo da vida. Autoria Eduardo Chiarini
quarta-feira, 21 de junho de 2023
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
Queremos.
Queremos poemas obscenos,
lascivos e eróticos venenos,
poemas pornográficos com erros ortográficos.
Queremos poemas inconsistentes,
perturbantes poemas indecentes,
excludentes e indiferentes.
Queremos que sejam inexistentes,
escritos em estrelas cadentes,
queremos poemas quentes.
Queremos o plural de eles,
e o singular de eu,
num poema só seu.
Queremos pelo menos um poema nefelibata,
um poema que arrebata e mata,
o poema burocrata.
Queremos poemas sem sentido,
queremos poemas sentidos,
queremos o sentido perdido.
Queremos poemas malucos,
queremos malucos escritos,
queremos vários ditos.
Queremos poemas com palavrão,
gritados a pleno pulmão, com convicção
escritos sem palavras e sem definição.
quinta-feira, 23 de junho de 2022
Ossos e
pedras.
Senti meu
peito apertado,
ao ver ali,
na minha frente, deitado,
quase nu, com
frio, fome e sem abrigo,
mais um entre
a legião dos desamparados.
Largados à
própria sorte,
calada a
noite, espreita a morte,
na disputa
pelo pedaço de pão, pela moeda,
pela latinha
para esquentar a sopa de ossos e pedras.
O camarão, a
lagosta e o faisão, a rigor,
degustados,
empanturrados pelos comensais,
entre
cloches e florais, regados a vinhos provençais,
na cobertura
em festa, sobre a marquise sem coberta,
em que mais um
“ninguém” deixou sua dor.
Você se importou,
se incomodou?
Essa dor chorou
“ninguém”,
deixada em
cova rasa para alguém. By EC.
quinta-feira, 28 de abril de 2022
Inquietação.
Mora, em mim, um ser poeta,
criança, porém severo e profundo,
a vigiar as dores do mundo.
Comigo vai aos lugares,
guarda, à seu modo, os sóis e os luares,
recolhe doces lembranças,
de dias ensolarados e de brisa, suaves nuanças.
Adora sobremaneira brincar
nas montanhas e no mar,
onde sempre quer passear,
e se encanta, com seu modo de encantar.
Escreve e esquece poemas na areia,
nas ondas que morrem na praia,
escreve poemas e desaparece
no alto das montanhas onde o sol os aquece.
Este ser criança, hoje, aprendiz de poeta,
em mim, a mim inquieta,
e, mesmo na mais sombria escuridão,
na mais terrível solidão,
sorri e canta sua canção. By EC.
terça-feira, 22 de março de 2022
Flores nas janelas.
Andando,
ando procurando,
vasos de
flores nas janelas,
enfeitando
os olhos de quem anda
à procura de
vistas simples e belas.
Avistei a
pequena flor, admirado
plantada em
um vaso de barro,
viçosa e
radiante, bem cuidada,
em uma
janela tristemente abandonada.
Um estranho
esfarrapado, alienado,
conversava,
regava e cuidava dela,
daquela
pequena flor, naquela agora linda janela.
Depois como
um andarilho sorridente,
saía,
deixando a pequena flor contente,
pelo amor e
carinho que lhe dera. By EC.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022
A valsa da tempestade.
Um vento
assoviava pela fresta da janela,
em meio a chuva
forte que caía, intensa e bela,
e a ela
conferia misteriosa atmosfera musical,
convidando para
uma dança leve e cordial.
Tentei um
sentido atribuir e a ela dar
àquela chuva
de madrugada tardia,
que
encantava meu insistente olhar,
ignorando-me,
tocava sua tempestuosa melodia.
Pensei que deveria
estar por lá!
Dançando em
meio ao vendaval,
junto aos
poderosos fios daquela chuva teatral.
Haveria de
ser eu o par do casal,
dançando,
sorrindo, rodando, indo e vindo,
alheios
à tempestade, numa valsa magistral. By EC.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
Poema lindo que minha amiga do coração Raquel me dedicou.
Ao meu amigo Eduardo Chiarini
Perdida na retórica
do ser ou não ser,
professora ou poeta,
não importa o saber.
Foi você, meu amigo,
no caos, o porto seguro,
onde apartei-me da deriva
do mar de intrigas e escuro
em que me encontrava.
Das Minas Gerais, o jeito de ser;
da nobreza d'alma, a generosidade;
do coração grande, a amizade.
Quem diria que nas conversas sutis
encontraria um amigo tão gentil?
Meu salva-vidas na tempestade
e também nos dias de calmaria,
com incentivos de seguir adiante.
O escritor, poeta e também amante
da ciência mais bela, a Filosofia.
Confiou-me seus contos e personagens,
entre estórias de realidade e ficção.
Enveredando por perigosas viagens,
aventurei-me a conhecer um pouco
do que se passava em sua imaginação.
Desde um poeta desejando um café
à professora que desvendava casos,
usando ideias filosóficas e astúcia.
Assim é a bela e competente Ana Lúcia.
Meu amigo, Eduardo Chiarini,
se um dia por qualquer descompasso,
esta professora precisar se ausentar,
saiba que deixará aqui neste espaço:
gravados seus versos, sua gratidão,
seu respeito, a Diva (Meryl) e abraço
carinhoso da mais sincera admiração!
* Dedicado exclusivamente ao poeta,
escritor e filósofo Eduardo Chiarini.
Raquel Fonseca. #ChácomLetras;
domingo, 16 de janeiro de 2022
Memórias da
Juventude.
(O primeiro
amor).
Penso que
esta lembrança reflete bem,
meu primeiro
amor por alguém,
as recordações
imprecisas de uma moça,
que em minha
rua, passeava por meus olhos
e me extasiava
com suas pernas de louça.
Talvez já
mais adiante com pouca idade,
outra moça
no portão do colégio, um liceu,
sentava-se
ao meu lado e conversávamos,
sobre coisas
e sobre estrelas, e que felicidade,
devagar encostava
seu joelho ao meu.
À noite, num
lugar imaginário na cidade
um belo
sorriso de moça, linda na verdade,
as nossas
ideias salvariam o mundo que sofria,
ela abraçava-me
sem maldade e se ria.
Tímido, o
coração disparado apressado,
era linda e queria
ser seu namorado,
aceitou,
consentiu e felizes demo-nos as mãos,
e ao som de
rocks e MPB me senti amado. By EC.
sábado, 18 de dezembro de 2021
Memórias da Juventude
(O primeiro
beijo)
Suave, com a
ternura de uma brisa,
beijou-me
leve a boca, escondido,
e me senti pela
primeira vez envolvido,
pela sua breve
inocência de menina.
Éramos
namorados então,
talvez o
beijo tivesse essa razão,
me lembro ter
sido na memória da esquina,
do sonho com
minha imaginação.
Sua presença
vibrante era tal,
que
contagiava todos os lugares,
por onde
andava, como que flutuando nos ares,
já que o
duro chão do concreto não era real.
Sorria como uma
rosa em canção,
branca em um
lindo dia de sol primaveril,
devagar, se abria,
e refletia o amor que sentia
pela
primeira vez no meu coração. By EC.
domingo, 5 de dezembro de 2021
Memórias da Juventude
(Na praia)
Manhã de areia
branca; os pés descalços,
o sol forte,
as pessoas caminhando devagar,
uns indo e
vindo em um suave balançar,
outros
correndo como se querendo chegar.
Eu feliz, já
que o mar me acaricia,
moleque, seu
moço, na areia macia,
longe de
tudo, sento-me em qualquer lugar,
desejo de
simples parar e no horizonte fitar.
Um mergulho
bem no fundo,
o calor desaparece,
se esconde,
as ondas que
vem e vão,
neste
mistério, vindas de não sei onde.
Final do
dia, a noite chegando, o vento insinua,
poesias sem
palavras na praia nua,
sem fome,
sem nome, sem pressa, distrai,
lua nasce no
horizonte sorrindo e o sol se vai. By
EC.
terça-feira, 30 de novembro de 2021
Memórias da Juventude
(Indo à praia - Criança ainda II)
Um pouco
mais adiante, sob o céu nublado
chegando de
lugar distante, há horas para trás,
contemplava
calado a majestade natural do lugar,
sentindo, ao
descer da serra, o cheiro do mar.
Cheiro gostoso
que boa lembrança me traz,
o correr do automóvel
na noite imóvel,
a estrada
deserta, os faróis incertos,
no céu que
se descortina esplendido e aberto.
No toca
fitas do carro um rock anos oitenta,
talvez MPB,
Caetano Veloso, London , London,
discos voadores
que meus olhos com ele procuram
e meus
sonhos de criança acalenta.
Meu pai
exausto, viagem longa querendo deitar
eu entusiasmado
imaginando o mar, pousar meu olhar
mesmo que
por segundos na profunda escuridão,
daqueles
tempos, de pura e divina, genuína emoção.
By EC.
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