segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

 Poema lindo que minha amiga do coração Raquel me dedicou.

Ao meu amigo Eduardo Chiarini

Perdida na retórica
do ser ou não ser,
professora ou poeta,
não importa o saber.
Foi você, meu amigo,
no caos, o porto seguro,
onde apartei-me da deriva
do mar de intrigas e escuro
em que me encontrava.

Das Minas Gerais, o jeito de ser;
da nobreza d'alma, a generosidade;
do coração grande, a amizade.
Quem diria que nas conversas sutis
encontraria um amigo tão gentil?
Meu salva-vidas na tempestade
e também nos dias de calmaria,
com incentivos de seguir adiante.
O escritor, poeta e também amante
da ciência mais bela, a Filosofia.

Confiou-me seus contos e personagens, 
entre estórias de realidade e ficção. 
Enveredando por perigosas viagens,
aventurei-me a conhecer um pouco
do que se passava em sua imaginação.
Desde um poeta desejando um café
à professora que desvendava casos,
usando ideias filosóficas e astúcia.
Assim é a bela e competente Ana Lúcia. 

Meu amigo, Eduardo Chiarini,
se um dia por qualquer descompasso,
esta professora precisar se ausentar,
saiba que deixará aqui neste espaço:
gravados seus versos, sua gratidão,
seu respeito, a Diva (Meryl) e abraço 
carinhoso da mais sincera admiração!

* Dedicado exclusivamente ao poeta, 
escritor e filósofo Eduardo Chiarini.


Raquel Fonseca. #ChácomLetras;


domingo, 16 de janeiro de 2022

 

Memórias da Juventude.

(O primeiro amor).

 

Penso que esta lembrança reflete bem,
meu primeiro amor por alguém,
as recordações imprecisas de uma moça,
que em minha rua, passeava por meus olhos
e me extasiava com suas pernas de louça.


Talvez já mais adiante com pouca idade,
outra moça no portão do colégio, um liceu,
sentava-se ao meu lado e conversávamos,
sobre coisas e sobre estrelas, e que felicidade,
devagar encostava seu joelho ao meu.


À noite, num lugar imaginário na cidade
um belo sorriso de moça, linda na verdade,
as nossas ideias salvariam o mundo que sofria,
ela abraçava-me sem maldade e se ria.


Tímido, o coração disparado apressado,
era linda e queria ser seu namorado,
aceitou, consentiu e felizes demo-nos as mãos,
e ao som de rocks e MPB me senti amado.      By EC.

sábado, 18 de dezembro de 2021

 

Memórias da Juventude

(O primeiro beijo)

 

Suave, com a ternura de uma brisa,
beijou-me leve a boca, escondido,
e me senti pela primeira vez envolvido,
pela sua breve inocência de menina.


Éramos namorados então,
talvez o beijo tivesse essa razão,
me lembro ter sido na memória da esquina,
do sonho com minha imaginação.


Sua presença vibrante era tal,
que contagiava todos os lugares,
por onde andava, como que flutuando nos ares,
já que o duro chão do concreto não era real.


Sorria como uma rosa em canção, 
branca em um lindo dia de sol primaveril,
devagar, se abria, e refletia o amor que sentia
pela primeira vez no meu coração.                      By EC.

domingo, 5 de dezembro de 2021

 

Memórias da Juventude

(Na praia)

 

Manhã de areia branca; os pés descalços,
o sol forte, as pessoas caminhando devagar,
uns indo e vindo em um suave balançar,
outros correndo como se querendo chegar.


Eu feliz, já que o mar me acaricia,
moleque, seu moço, na areia macia,
longe de tudo, sento-me em qualquer lugar, 
desejo de simples parar e no horizonte fitar.


Um mergulho bem no fundo,
o calor desaparece, se esconde,
as ondas que vem e vão,
neste mistério, vindas de não sei onde.


Final do dia, a noite chegando, o vento insinua,
poesias sem palavras na praia nua,
sem fome, sem nome, sem pressa, distrai,
lua nasce no horizonte sorrindo e o sol se vai.   By EC.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

 

Memórias da Juventude

(Indo à praia - Criança ainda II)

 

Um pouco mais adiante, sob o céu nublado
chegando de lugar distante, há horas para trás,
contemplava calado a majestade natural do lugar,
sentindo, ao descer da serra, o cheiro do mar.


Cheiro gostoso que boa lembrança me traz,
o correr do automóvel na noite imóvel,
a estrada deserta, os faróis incertos,
no céu que se descortina esplendido e aberto.


No toca fitas do carro um rock anos oitenta,
talvez MPB, Caetano Veloso, London , London,
discos voadores que meus olhos com ele procuram
e meus sonhos de criança acalenta.


Meu pai exausto, viagem longa querendo deitar
eu entusiasmado imaginando o mar, pousar meu olhar
mesmo que por segundos na profunda escuridão,
daqueles tempos, de pura e divina, genuína emoção.    By EC.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

 

Memórias da Juventude.

(Na minha rua – criança ainda I)

Eu criança, brincava na enxurrada,
jogava bola e, moleque, pulava os muros,
das sérias senhoras que no inverno dançavam quadrilha
na chuva, barquinhos de papel e armadilhas.


Se riam pelos rios de minha imaginação,
e criança na cidade da rua de pedra,
espera quase deserta já que os amigos são certos,
coisas de saudade e pega-pega inventados e espertos.


Já mais tarde, à noitinha, na esquina,
conversas de meninos e meninas,
a mãe chamava: — já para casa, seu pai vai chegar!
como se lá devesse sempre estar para jantar.


E bem tarde, o céu deslumbrava o olhar,
muitas estrelas a contar, sonhos a sonhar,
dormia acordado, ouvindo sonhando,
o cantar dos pássaros noturnos se amando.   By EC.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

 

Memórias da Juventude.

(A porta verde III)

 

Do lado de dentro da porta verde,
longos e ternos abraços nos recebiam,
carinhos, beijos e sorrisos de alegria,
perfumes que extasiavam e confundiam.


A roupa molhada, o banho quente,
calmamente nos aqueciam contentes,
um café, uma taça de vinho, um ninho,
no seu colo pousava docemente.


Se ia, já no final da madrugada,
quando raiando o dia, o sol tímido aparecia,
como um quadro, apagavam as últimas estrelas,
na mesa o café, o pão, a cama desarrumada.


Num raio de sol, seu sorriso na saia rodada,
hora do seu trabalho, corria atrasada,
pela frente um longo dia de saudade,  
com a tranca destravada, a porta verde encostava.   By EC.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

 

Memórias da Juventude.

(A porta verde II).

 

Com o coração aos pulos como criança
em frente à porta verde, esperando a pensar,
entalhada, lembrava vagas lembranças,
na memória verde agua do distante mar.


Conseguia ouvir ou sonhava,
talvez pela emoção, delirava,
os suspiros das sonoras cantigas do mar,
em suas inexplicáveis formas de se mostrar.


Um sentimento crescente, presente, 
qual a lua crescente no céu da madrugada
ansiedade tamanha, incontida,
que eu mesmo, estranho, me abrigava.


Quando enfim a porta abria,
meu coração descompassado sorria,
a amada esperada me recebia, molhado,
em um abraço e numa lágrima de alegria.       By EC.

domingo, 7 de novembro de 2021

 

Memórias da juventude.

(A porta verde I).

 

Era madrugada, chovia,
um longo corredor, levava,
em mim,  a impetuosidade juvenil,
até a sua porta verde, onde dormias.


Me lembro com nitidez da porta,
era de madeira, entalhada e pintada,
em um estranho tom de verde agua,
onde você, como um pássaro, pousava.


Sentia frio, molhado, pisava em poças
suado de correr na chuva fria,
na esperança de encontrar poesia,
em seu sorriso de menina moça.


Chegava e batia, um código secreto,
duas batidas, silêncio, mais três, discreto,
o nosso encontro repleto de amor, você abriria,
a porte verde , com seus entalhes, que rangia.   By EC.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

 

Sempre.

 

Sempre haverá um fim,
para cada novo começo,
e sempre novo, um começo para cada fim,
independente de um tropeço.
Sempre haverá a lua,
e depois dela o sol,
mesmo que que se acabe
um triste dia, no arrebol.
Sempre haverá um poema,
para os namorados,
que dele farão tema,
quais loucos apaixonados.
Sempre haverá a flor, a nos fazer sorrir,
teimando em nascer no concreto,
sempre haverá um todo concreto,
que teima em teimar, e a não lhe deixar florir.  By EC.

sábado, 16 de outubro de 2021

Aquarela nas estrelas.

 

Um dia a vida me apresentou
dores pungentes e 
que a mim traziam feridas, 
mal curadas e sofridas.
Lutei, pois em mim há um guerreiro, 
um viking ligeiro, um guerrilheiro;
lutei com todas as armas que tinha, 
sofrendo profundas cicatrizes, contidas.
Um dia olhei para a vida, 
com tempo a trabalhar, 
um bálsamo, para feridas curar, 
sem a resignação de não viver.
Sorrir e sofrer; não havia espaço
para o cansaço vencer.
Hoje, em comunhão a alma, o coração
apenas marejam meus olhos, 
saudades dos que amei e delas desenhei
aquarelas nas estrelas. Eu sei!              By EC. 

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